"Lá estava Maria, tão quieta, perdida em meio as suas reflexões. Estava ela a pensar sobre sua lastimável vida e eis que cada lágrima que rolava de seus olhos ao seu rosto e as quais logo seriam perdidas no nada continham uma pequena parte de sua alma e da minha também. Dói tanto em meu ser vê-la assim, mas sei que não sou capaz de nada. Ela escolheu seu próprio caminho, absorvendo a dor de todos ao seu redor, segurando a barra de todos que amava, se doando tanto e esquecendo o seu próprio eu. Maria foi absorvida pela vida dos outros, por isso eu teimo em dizer que ela é um pedacinho de todo mundo, que ela tem tanto de todos e quase nada dela mesma. Ela esqueceu sua vida, esqueceu que também necessitava de carinho, de cuidados, de amor… Até o tal do amor próprio ela se esqueceu de dar-se a si mesma. Agora, ela chora sozinha, não compartilhando sua dor com ninguém, se negando ainda a receber e até dar-se um pouquinho de amor. Maria esta sendo consumida por escuridão e a escuridão vem de dentro dela mesma, ninguém a pode ajudar. E eis que eu sofro, sofro por amar Maria, por querer dar-lhe todo esse amor que há dentro de mim, porém só me resta ter fé. “Ela vai sair dessa, eu acredito, ela é forte, forte demais para se deixar ser engolida por sua própria escuridão” e eu vou dizendo essas palavras baixinhas a fim de que elas sejam realmente verdade, porque apesar de tudo eu acredito nela, eu acredito em Maria." —
Os olhos de Maria, Ca Leal.
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